Quanto ganha um eletricista – Vale a pena ser eletricista profissional?

quanto ganha um eletricista

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Marlon Pascoal Pinto

Marlon Pascoal
Eng. Eletricista e Eng. de Segurança do Trabalho | CREA-MG 172.438/D
Atualizado em setembro de 2026

O eletricista tem salário médio de R$ 3.052 em 2026 no regime CLT, com faixa de R$ 2.763 a R$ 4.279, segundo dados do CAGED compilados pelo Portal Salário. O valor muda bastante conforme a especialidade: manutenção industrial fica em torno de R$ 3.015, eletrotécnico em R$ 3.339 e encarregado de instalações em R$ 4.289. Quem atua como autônomo tem outra lógica, ligada ao volume de serviços e à precificação, não ao piso da categoria.

Abaixo estão os números por especialidade, como funciona o piso da categoria, a diferença entre CLT e autônomo, e o que de fato move o salário de uma faixa para a outra.

Quanto ganha um eletricista em 2026

Os valores abaixo vêm de dados do CAGED, do Ministério do Trabalho e Emprego, compilados pelo Portal Salário, e se referem a contratações em regime CLT nos 12 meses até 2026.

💰 Função Média em 2026 Faixa (piso a teto)
Eletricista R$ 3.052 R$ 2.763 a R$ 4.279
Eletricista de instalações prediais R$ 2.681 R$ 2.873 a R$ 3.255
Eletricista de manutenção industrial R$ 3.015 R$ 2.737 a R$ 4.209
Eletrotécnico R$ 3.339 R$ 3.272 a R$ 5.338
Encarregado eletricista de instalações R$ 4.289 R$ 4.246 a R$ 6.553

Versão em lista:

  • Eletricista: média de R$ 3.052, faixa de R$ 2.763 a R$ 4.279.
  • Eletricista de instalações prediais: média de R$ 2.681.
  • Eletricista de manutenção industrial: média de R$ 3.015, faixa até R$ 4.209.
  • Eletrotécnico: média de R$ 3.339, faixa até R$ 5.338.
  • Encarregado eletricista de instalações: média de R$ 4.289, faixa até R$ 6.553.

Repare na distância entre a primeira e a última linha: são mais de mil e duzentos reais por mês separando quem entra de quem assume coordenação. E a diferença não é tempo de casa, é qualificação e responsabilidade técnica.

Piso salarial do eletricista: como funciona

Uma dúvida frequente e que costuma ser respondida errado: não existe um piso salarial nacional único para eletricista. O piso é definido por convenção ou acordo coletivo, negociado entre o sindicato da categoria e o sindicato patronal, e varia por estado, por região e às vezes por setor.

Isso significa que dois eletricistas com a mesma função podem ter pisos diferentes por trabalharem em estados distintos, ou por um estar em construção civil e o outro em indústria.

Três pontos práticos:

  • A convenção prevalece sobre o salário mínimo. Quando há piso definido em convenção coletiva, ele é o valor mínimo da categoria naquela base territorial.
  • O documento é público. A convenção coletiva fica registrada no sistema do Ministério do Trabalho e Emprego e o sindicato da categoria também costuma publicá-la.
  • Vale conferir os adicionais. Periculosidade, insalubridade e adicional noturno mudam bastante o valor final e estão previstos em norma, não na convenção.

A média do CAGED que abre esta página reflete o que foi efetivamente contratado, e por isso costuma ficar acima do piso da maioria das convenções.

Salário por especialidade

A especialidade é o fator que mais move o salário na elétrica, mais do que região ou tempo de profissão. Cada área tem exigência técnica e faixa própria:

Por que o industrial paga mais

A diferença não é arbitrária. O eletricista industrial lida com painéis de comando, partida de motores, inversores de frequência, intertravamentos e leitura de diagramas de comando, tudo em ambiente onde uma parada de linha custa caro por hora.

A consequência é que a empresa paga mais por quem resolve rápido e corretamente, e paga ainda mais por quem consegue diagnosticar antes da falha. Esse é o salto de faixa mais acessível para quem já atua no residencial: a base elétrica é a mesma, o que muda é o domínio de comandos elétricos e automação.

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CLT ou autônomo: o que muda de verdade

Os dados do CAGED se referem a contratações com carteira assinada. Quem atua por conta própria opera em outra lógica, e comparar os dois pela média leva a conclusão errada.

⚖️ Critério CLT Autônomo
Como se forma a renda Salário fixo, definido por função e convenção Volume de serviços e preço praticado
Previsibilidade Alta Variável, com sazonalidade
Custos do próprio bolso Ferramenta e EPI normalmente da empresa Ferramenta, veículo, deslocamento e material
Benefícios Férias, 13º, FGTS e INSS pelo empregador Precisam ser provisionados no preço
Dia parado Remunerado Custo direto

O erro mais comum de quem sai da carteira assinada é calcular o próprio custo como se fosse o salário líquido anterior. Não é. Férias, décimo terceiro, contribuição previdenciária, ferramenta, veículo e os dias sem serviço precisam estar dentro do preço, senão o faturamento parece maior e o resultado é menor.

Formalização como MEI

Para quem atua por conta própria, o enquadramento como Microempreendedor Individual permite emitir nota fiscal, contribuir para o INSS e formalizar a prestação de serviço a custo mensal baixo. Isso abre portas em condomínios, construtoras e empresas que só contratam com nota. As regras e o cadastro estão no Portal do Empreendedor.

Quanto cobrar por serviço

Para o autônomo, a pergunta sobre salário vira uma pergunta sobre precificação. As faixas abaixo são referências de mercado e variam bastante por região, complexidade e condição do imóvel:

  • Instalação de ponto de tomada: R$ 45 a R$ 90 por ponto.
  • Instalação de chuveiro: R$ 130 a R$ 260.
  • Visita técnica para diagnóstico: R$ 90 a R$ 160.
  • Diária técnica: R$ 380 a R$ 650.

Esses valores servem de referência, não de tabela fechada. O que costuma faltar no cálculo do autônomo são os custos indiretos: deslocamento, tempo de compra de material, ferramenta, veículo e os dias sem serviço. Quando esses itens ficam de fora, o preço parece competitivo e a margem desaparece.

Para montar orçamento com método em vez de estimativa de memória, o aplicativo Meu Ajudante tem calculadora de preços por serviço.

O que move o salário de uma faixa para outra

  1. Qualificação comprovável. O item 10.8.1 da NR-10 considera trabalhador qualificado quem comprova conclusão de curso específico na área elétrica reconhecido pelo Sistema Oficial de Ensino. É esse documento que abre as vagas de indústria e de obra de grande porte.
  2. Treinamento de NR-10. É requisito para a autorização da empresa, com reciclagem a cada dois anos. Sem ele, não há intervenção autorizada em instalação elétrica. Veja o curso de NR-10.
  3. Especialização técnica. Comandos elétricos, automação e projeto são as frentes que mais deslocam a faixa salarial, porque reduzem o tempo de parada e o retrabalho.
  4. Formalização. Para o autônomo, emitir nota fiscal amplia o mercado acessível bem além do cliente residencial.
  5. Precificação com método. Dois profissionais com a mesma técnica podem ter resultados muito diferentes no fim do ano, dependendo de como calculam o preço.

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Marlon Pascoal Pinto

Opinião do especialista
Marlon Pascoal | CREA-MG 172.438/D

Quando alguém me pergunta quanto ganha um eletricista, a resposta útil não é a média. É perguntar de volta o que a pessoa sabe fazer que o colega ao lado não sabe. Quem só faz o que todo mundo faz disputa preço, e disputa de preço tem um vencedor só, que é o cliente. Quem lê diagrama de comando e resolve uma parada de linha em uma hora não disputa preço com ninguém.

Perguntas frequentes

Quanto ganha um eletricista em 2026?

A média é de R$ 3.052 em regime CLT, com faixa de R$ 2.763 a R$ 4.279, segundo dados do CAGED compilados pelo Portal Salário. O valor varia por especialidade: eletricista de instalações prediais tem média de R$ 2.681, manutenção industrial R$ 3.015, eletrotécnico R$ 3.339 e encarregado de instalações R$ 4.289.

Qual o piso salarial do eletricista?

Não existe piso nacional único para a categoria. O piso é definido por convenção ou acordo coletivo, negociado entre sindicato da categoria e sindicato patronal, e varia por estado, região e às vezes por setor. Quando há piso em convenção, ele prevalece como valor mínimo naquela base territorial. A convenção fica registrada no sistema do Ministério do Trabalho e Emprego.

Quanto ganha um eletricista industrial?

O eletricista de manutenção industrial tem média de R$ 3.015 em 2026, com faixa até R$ 4.209, segundo dados do CAGED. A faixa é maior que a do predial porque a função envolve comandos elétricos, acionamento de motores, automação e leitura de diagramas, em ambiente onde a parada de linha tem custo alto por hora.

Quanto ganha um eletricista autônomo?

Não há média oficial, porque a renda do autônomo depende do volume de serviços e do preço praticado, não de piso de categoria. O cálculo correto parte do preço por serviço menos os custos indiretos: deslocamento, tempo de compra de material, ferramenta, veículo e dias sem serviço. Quem calcula o próprio custo como se fosse o salário líquido anterior costuma faturar mais e lucrar menos.

Quanto um eletricista cobra por dia?

A diária técnica costuma ficar entre R$ 380 e R$ 650, com variação por região e complexidade do serviço. Instalação de ponto de tomada fica entre R$ 45 e R$ 90 por ponto, instalação de chuveiro entre R$ 130 e R$ 260, e visita técnica para diagnóstico entre R$ 90 e R$ 160. São referências de mercado, não tabela fechada.

Vale a pena ser eletricista?

A demanda é sustentada por obrigação normativa e por infraestrutura: toda instalação elétrica precisa de manutenção e toda intervenção exige profissional autorizado pela NR-10. A faixa de entrada fica próxima do piso da categoria, e a progressão vem de especialização, principalmente em comandos elétricos, automação e projeto, que é onde a diferença de remuneração aparece.

Precisa de curso para trabalhar como eletricista?

Para atuar formalmente, sim. O item 10.8.1 da NR-10 considera trabalhador qualificado quem comprova conclusão de curso específico na área elétrica reconhecido pelo Sistema Oficial de Ensino. Além disso, o treinamento de segurança da NR-10 é requisito para a autorização da empresa, com reciclagem a cada dois anos.

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